{"id":768,"date":"2008-09-01T22:35:55","date_gmt":"2008-09-01T22:35:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blackactivistwg.org\/blog\/?p=768"},"modified":"2014-03-21T16:31:28","modified_gmt":"2014-03-21T22:31:28","slug":"o-grande-debate","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blackactivistwg.org\/blog\/o-grande-debate\/","title":{"rendered":"O grande debate"},"content":{"rendered":"<p>Quotes from Larry Pinkney\u2019s article\u00a0<em>If You Support the Pro-Aparteid Zionist\u00a0<\/em><em>Barack Obama: Stop Complaining About Racism or Economic Exploitation Here and Abroad<\/em>\u00a0(June 19, 2008, Issue 282, The Black Commentator) were included in a Portuguese article published under Human Rights on September 2008, Issue 73 of Radis Magazine (Brazil):<\/p>\n<p><a title=\"O grande debate, Radis magazine, Brazil\" href=\"http:\/\/www6.ensp.fiocruz.br\/radis\/revista-radis\/73\/reportagens\/o-grande-debate\" target=\"_blank\">http:\/\/www6.ensp.fiocruz.br\/radis\/revista-radis<br \/>\n\/73\/reportagens\/o-grande-debate<\/a><\/p>\n<p>Pelo sorriso bonito, ningu\u00e9m diria. O senador democrata\u00a0Barack Obama\u00a0lidera as pesquisas para presidente dos Estados Unidos, mas sua campanha se equilibra entre a cruz e a caldeirinha. Reportagem do\u00a0<em>Washington Post<\/em>\u00a0de junho revelou que esta in\u00e9dita candidatura impulsiona grupos racistas (<a href=\"http:\/\/www.washingtonpost.com\/\" target=\"_blank\">www.washingtonpost.com<\/a>). De outro lado, o candidato \u00e9 odiado por ativistas afro-americanos, como os que conduzem a jovem publica\u00e7\u00e3o\u00a0<em>The\u00a0Black Commentator<\/em>\u00a0(<a href=\"http:\/\/www.blackcommentator.com\/\" target=\"_blank\">www.blackcommentator.com<\/a>).<\/p>\n<p>Barack Obama parece um resumo do mundo. Nasceu em Honolulu h\u00e1 46 anos de pai queniano e m\u00e3e americana de origem europ\u00e9ia, logo divorciados. Viveu com a m\u00e3e e o padrasto indon\u00e9sio em Jacarta at\u00e9 os 10, quando voltou ao Hava\u00ed para morar com os av\u00f3s maternos. A av\u00f3 paterna,tios e primos continuam no Qu\u00eania \u2014 todos mu\u00e7ulmanos, mas Obama \u00e9 protestante. Usou maconha e coca\u00edna at\u00e9 se formar em Direito, em Harvard, virou advogado dos direitos civis, depois constitucionalista; casou-se, teve duas filhas e, numa carreira mete\u00f3rica, foi eleito duas vezes senador estadual. Em 2004, chegou ao Senado federal. Em pleno primeiro mandato, lan\u00e7ou-se \u00e0 disputa da Casa Branca com Hillary Clinton, que muitos j\u00e1 consideravam presidente.<\/p>\n<p>Promete a retirada das tropas do Iraque, mas com cautela. Defende a legaliza\u00e7\u00e3o dos 12 milh\u00f5es de imigrantes dos EUA, mas exige-lhes aprendizado do ingl\u00eas e os amea\u00e7a com multas. Bolou um plano universal de sa\u00fade, mas em parceria com seguradoras privadas. Era a favor das cotas, mas na campanha tem defendido mais o crit\u00e9rio da classe social, o que preocupa os negros. Ap\u00f3ia aborto, casamento gay e igualdade racial, mas abomina confrontos, a ponto de renegar seu pastor, Jeremiah Wright, que provocou esc\u00e2ndalo ao falar de racismo e opress\u00e3o nos \u201cEstados Unidos da Am\u00e9rica Branca\u201d.<\/p>\n<p>\u201cApoiado por Wall Street, este sionista pr\u00f3-apartheid n\u00e3o teria sucesso sem a cumplicidade dos neofascistas brancos do s\u00e9culo 21, os assim chamados liberais\/progressistas\u201d, vitupera o conselheiro editorial do\u00a0<em>Black Commentator\u00a0<\/em>Larry Pinkney, veterano dos Black Panthers, ex-preso pol\u00edtico, que trata a m\u00eddia como \u201cmeios de desinforma\u00e7\u00e3o de massa\u201d. O outro lado exulta: \u201cN\u00e3o tenho visto tanto \u00f3dio h\u00e1 muito tempo\u201d, diz ao\u00a0<em>Post<\/em>\u00a0Billy Roper, 36 anos, l\u00edder do White Revolution, de Arkansas \u2014 grupos racistas como o dele cresceram 50% desde 2000. \u201cNada acordou mais os americanos pacatos do que a possibilidade de um presidente n\u00e3o-branco\u201d. Nem o senador do Arizona\u00a0John McCain, candidato republicano, escapa: pela posi\u00e7\u00e3o moderada sobre imigra\u00e7\u00e3o, \u00e9 alvo dos racistas.<\/p>\n<p>Obama queria ser visto como o \u201ccandidato de todos os americanos\u201d e se esfor\u00e7ava para manter a quest\u00e3o racial fora da campanha. Mas tudo mudou. Em viagem internacional, em julho, foi recebido como chefe de Estado em v\u00e1rios pa\u00edses e ovacionado por 250 mil berlinenses em com\u00edcio sob sol escaldante. Acuado, McCain passou a trat\u00e1-lo de \u201ccelebridade\u201d \u2014 citou at\u00e9 a cantora pop Britney Spears \u2014, despreparado para o governo. \u201cTentam assust\u00e1-los contra mim\u201d, rebateu Obama. \u201cDizem: n\u00e3o \u00e9 patriota o bastante, tem nome estranho, n\u00e3o se parece com os presidentes das notas de d\u00f3lar\u201d.<\/p>\n<p>Ataques sucessivos de McCain come\u00e7aram a funcionar e Obama viu-se vaiado\u00a0 por ativistas negros em com\u00edcio na Fl\u00f3rida \u2014 era a quest\u00e3o racial tomando seu lugar na campanha. Jornais e TV n\u00e3o falam de outra coisa. A tal ponto que a m\u00eddia descobriu que a monografia de gradua\u00e7\u00e3o na Universidade de Princeton, em 1985, da mulher de Obama, Michelle, \u00e9 um est\u00edmulo \u00e0 milit\u00e2ncia. Ela enviou 400 question\u00e1rios a universit\u00e1rios negros e concluiu que os mais conscientes da segrega\u00e7\u00e3o tornavam-se mais \u00fateis \u00e0 comunidade do que os \u201cassimilados\u201d.<\/p>\n<p>A realidade \u00e9tnica americana surpreende os desavisados: os brancos s\u00e3o 79,96%; os negros n\u00e3o passam de 12,85%; asi\u00e1ticos, 4,43%; nativos da Am\u00e9rica e do Alasca, 0,97%; nativos do Hava\u00ed e Pac\u00edfico, 0,18%; outras etnias, inclusive hisp\u00e2nicos, 1,61% (CIA World Factbook,<br \/>\nestimativa julho\/2007).<\/p>\n<p>Como disse um analista pol\u00edtico ao\u00a0<em>Globo<\/em>\u00a0(2\/7), a divis\u00e3o da sociedade americana sempre ser\u00e1 lembrada, por mais que Obama sonhe com uma era p\u00f3s-racial.\u00a0<em>O grande debate<\/em>\u00a0(<em>The great debaters<\/em>), por exemplo, filme lan\u00e7ado nos EUA no primeiro semestre, quando Obama vencia as elei\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias, \u00e9 pessimista. Baseado em hist\u00f3ria real dos anos 30, tem dire\u00e7\u00e3o de Denzel Washington, que encarna Melvin B. Tolson (1898-1966), poeta tardiamente reconhecido, ativista dos direitos civis e professor do Wiley College, pequena faculdade para negros no Sul das leis segregacionistas, s\u00f3 abolidas pela Suprema Corte em 1954. O professor ergue a auto-estima dos alunos criando uma equipe de debatedores que derrota os melhores do estado, depois do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A cr\u00edtica arrasou o filme pelo \u201csimplismo\u201d e a inconsist\u00eancia hist\u00f3rica. Fora dos \u201cmeios de desinforma\u00e7\u00e3o\u201d, contudo, constata-se que o roteiro exp\u00f5e didaticamente iniq\u00fcidades nossas conhecidas, determinantes sociais da sa\u00fade, dos direitos humanos, da cidadania. No momento em que imigrantes s\u00e3o esmagados pela lei na Europa e nos EUA, em que a intoler\u00e2ncia mata homossexuais e fere atletas, em que fundamentalistas fazem a humanidade retroceder, Denzel Washington cumpre um papel antigo do cinema: o de militante.<\/p>\n<p>Se Obama acertou em fugir da quest\u00e3o, as urnas de novembro dir\u00e3o. (<strong>M.C.<\/strong>)<\/p>\n<p align=\"center\">\u2022\u2022\u2022<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.blackactivistwg.org\/Larry%20Pinkney\/bio.htm\" frameborder=\"no\" scrolling=\"no\" width=\"640\" height=\"400px\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quotes from Larry Pinkney\u2019s article\u00a0If You Support the Pro-Aparteid Zionist\u00a0Barack Obama: Stop Complaining About Racism or Economic Exploitation Here and Abroad\u00a0(June 19, 2008, Issue 282, The Black Commentator) were included in a Portuguese article published under Human Rights on September 2008, Issue 73 of Radis Magazine (Brazil):<\/p>\n<p><a title=\"O grande debate, Radis magazine, Brazil\" href=\"http:\/\/www6.ensp.fiocruz.br\/radis\/revista-radis\/73\/reportagens\/o-grande-debate\" [...]\n<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[32,18],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blackactivistwg.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/768"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blackactivistwg.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blackactivistwg.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blackactivistwg.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blackactivistwg.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=768"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/www.blackactivistwg.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/768\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":777,"href":"https:\/\/www.blackactivistwg.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/768\/revisions\/777"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blackactivistwg.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=768"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blackactivistwg.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=768"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blackactivistwg.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=768"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}